Rico Dalasam fala sobre treta dos direitos autorais de “Todo Dia”: “A música é minha desde 2016”

Rico Dalasam fala sobre treta dos direitos autorais de “Todo Dia”: “A música é minha desde 2016”

ago 2, 17 • Em geral, novidades

A treta mais recente da música pop envolve uma disputa pelos direitos autorais de “Todo Dia”, single de Pabllo Vittar com participação de Rico Dalasam, o que levou o clipe e o áudio da faixa a serem retirados do YouTube.

Rico Dalasam, autor de “Todo Dia”, entrou na Justiça pedindo para receber mais royalties pela música. A questão é que Rico, que canta na faixa e aparece no vídeo, se queixa de não receber como co-intérprete da canção. A defesa de Pabllo e do DJ Gorky, em resposta ao processo, alega que o artista aceitou abrir mão dos seus direitos de co-intérprete em troca de 100% dos créditos da autoria da canção. Porém, Rico não concorda com o que os outros alegam, e em entrevista ao site Noisey, da revista Vice, disse que tem direitos sobre a autoria e também como co-intérprete da canção.

“Não estou tentando mudar o acordo. A música é minha desde 2016. A música estava pronta e eu a levei para o Gorky. Nós gravamos, passou um tempão e eu encontrei o Gorky no Prêmio Multishow de Música de 2016. Lá, ele pediu para eu assinar uma autorização para a minha participação no disco da Pabllo. Bom, a música foi para a rua e, como tudo que a gente lança, só depois de um tempo vai ver quanto rendeu. Cheguei lá no ONErpm e vi que não tinha nada discriminado pra mim. A minha presença no fonograma era zero e, com isso, zero das vendas seriam destinadas pra mim”, contou Rico Dalasam.

O site Noisey perguntou se Rico acredita que foi enganado, ao que ele respondeu: “A gente tava na festa e ele falou: ‘É uma autorização de participação no disco do Pabllo’. Mas, na verdade, era uma cessão dos meus direitos como intérprete. Daí passou e, quando eu fui receber, eu não estava inserido no fonograma de forma alguma, como se eu não tivesse existido ali. Então, eu procurei ele, que disse: ‘Olha Rico, aquele dia na festa você abriu mão dos direitos enquanto intérprete. O que eu posso fazer é você me dá 50% do autoral e eu te dou 20% do direito digital’. Respondi: ‘Isso tá errado, Rodrigo. O certo é eu seguir com 100% do autoral e a parte que me cabe como intérprete’. Ele disse que não, e a partir daí eu vi que não teria uma possibilidade de diálogo. Eles tão dando a entender por aí que eu sou um oportunista, mas até agora eu não encostei em R$ 5 dessa música. A gente tava no meio da festa, foi um negócio muito rápido. Depois disso, o papo era que o autoral era 100% meu. Automaticamente, já que eu cantei na gravação, eu deveria constar no fonograma como autor e intérprete. É muito claro.”

Gorky afirma que consegue provar sua coautoria na canção e que o rapper teve chances para analisar o acordo antes que fosse oficializado, mas rico Dalasam rebate. “Se eu te entregar uma letra sem melodia, sem batida sem o tom, isso pode caracterizar que eu sou apenas um compositor. Se eu te entregar a música já cantada, com as notas, com o mapa, com a melodia, essa música já está pronta. Você pode ser um arranjador, instrumentista, o cara que fez a mixagem, um engenheiro de som… Você pode escolher mil títulos para as pessoas que você quer destinar porcentagem do fonograma, mas quem fez a música, o autor, o compositor e o intérprete são coisas que se referem a mim. Eu não tô querendo tudo pra mim. Só quero o que me cabe. Para dar o justo, ele quer que eu abra mão do autoral. Eu entreguei a música pronta. Ele só criou uma batida funk, inspirada em “Baile de Favela”. Tenho áudios de celular. Eles conseguem provar que eles fizeram o beat. Agora, na hora de apresentar isso vem um áudio meu de celular de 2016 e vai ser constatado que o que eu estou pedindo é o autoral e a minha co-interpretação.”

Segundo Rico, ele criou a música durante o Carnaval de 2016. “Eu vivi uma treta amorosa e saí da festa escrevendo a música. Eu escrevo cantando, já com melodia, em áudios de celular.”

O rapper disse que deve ter para receber por volta 10 mil dólares em relação às reproduções em plataformas digitais. “A execução pública, recolhida pelo ECAD, não entra nessa parada. No digital, só de YouTube e Spotify deve ser uns US$ 10 mil. Mas tem todo um somatório aí. O negócio é que além do retroativo, isso vale para a vida toda. É a nossa aposentadoria, tá ligado?”

O advogado de Rico Dalasam falou ao site Noisey o seguinte: “Não sei dizer se ele foi enganado, espero que não. Mas com certeza as condições não foram claramente expostas para ele. Não estamos pedindo nenhum valor. Pedimos apenas que revogassem as autorizações e solicitamos prestações de contas.”

O Dj Gorky disponibilizou para a revista todas as suas alegações na íntegra de sua contranotificação judicial (que você pode ler aqui).

(Via Noisey)

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